Pequenas coisas fazem a maior diferença


DEPOIMENTOS
"Hoje tiro o meu chapéu ao jovem Santos Fernandes, o Mohammad Yunus de Mindará.
Santos Fernandes inaugurou esta sexta-feira, dia 28 de Outubro, a sua empresa, a Minga SARL, com a qual, diz ele, vai tentar ajudar as mulheres do bairro que o viu nascer, neste caso Mindará.
Por ser amigo de Santos Fernandes fiz questão de comparecer ao distinto acontecimento. Como é da praxe o empreendedor lá me dedicou algumas palavras por ter marcado presença na cerimónia. Devo dizer que tenho que enaltecer o trabalho, a ousadia, a coragem e a perspicácia deste jovem que tem feito um caminho exemplar desde que regressou dos estudos no Brasil onde, pela Universidade Federal da Santa Catarina (Florianópolis) cursou Administração de Empresas em 2007.
Rapaz sempre afável na conversa sobre futebol, política, economia ou sociedade no geral, Santos Fernandes é daqueles que em vez de lamentar as dificuldades que se fazem frente a qualquer guineense decide-se pelo trabalho, pelo empreendedorismo sério.
Em pouco tempo desde que regressou dos estudos fez tanta coisa boa que merecia uma distinção se fosse num outro país: Escreveu e publicou um livro, participou numa acção de formação nos Estados Unidos de América sobre liderança e pequeno negócio, ajudou a fundar o clube de futebol do bairro que o viu nascer, Mindará Académico Futebol Clube, escreve opiniões de forma sistematizada no Facebook e agora cria e lança a sua própria empresa. Olha que não é uma empresa qualquer, é daquelas que fazem falta ao país, pois vai ao âmago da pobreza dando crédito directo às mulheres que constituem a maioria da população. Diz-se que quem dá formação à uma mulher está a ajudar a preparar uma sociedade e quem dá crédito a uma mulher também faz a mesma coisa. Santos Fernandes pode dizer, de boca cheia, que está a pagar o seu quinhão no processo de desenvolvimento.
Na minha modesta opinião, o desenvolvimento deste nosso país só descolará com pequenas iniciativas individuais ou localizadas, ou seja, tenho fundadas dúvidas sobre se será possível um desenvolvimento harmonioso deste país. Portanto, fico empolgado quando vejo iniciativas como esta do jovem Santos Fernandes.
É um caminho difícil, com muitos espinhos, convenhamos, isto porque estamos a falar de um país onde a carteira de crédito mal parado nos bancos comerciais ascende a números assustadores. Mais de 30 biliões."
"Hoje por hoje, o guineense tem fama de não cumprir com a palavra dada mas estou esperançado em como com a Minga SARL as coisas serão deferentes. Acredito que aquelas mulheres que vi no dia da inauguração da empresa não irão deixar Santos Fernandes passar vergonha ou arrepender-se do risco que decidiu assumir, sozinho.
Vi e acredito naquelas bideras de peixe, de tomate, de comida e sei que aquelas senhoras lutadoras não vão faltar à palavra dada ao seu menino Santos Fernandes. Como o próprio disse, a Minga SARL tem uma forte componente social, mas não deixa de ser um negócio, ou seja, visa lucro.
Gosto da forma cordata e educada como tenho trocado ideias com Santos Fernandes, mas agora gosto mais dele sobretudo pelo exemplo de bravura e pela justa homenagem que fez à sua mãe, Domingas Sá que o criou, vendendo peixe, no espaço onde abriu o seu negócio daí o facto de a empresa chamar-se Minga (Domingas). Tocou-me fundo as palavras do Santos Fernandes ao anunciar que decidiu abrir o seu negócio de dar crédito às mulheres juntamente no local onde nasceu e ajudou a sua mãe a vender peixe. É um gesto de uma pessoa humilde e honrada.
Fui criado pela minha avó, vendi coisas (bolos, fartura, charuto, donetes, panket, mancarra, entre outras ninharias), pelo que revejo-me no espírito do Santos Fernandes. É que tenho por princípio tomar por pessoa séria quem gostar da sua mãe. Santos Fernandes mostrou-me ser um rapaz que gosta da sua mãe portanto subiu muitos pontos na minha consideração só por isso.
Vou pedir ao Criador que ilumine este insigne jovem de Mindará a prosperar para que o investidor americano que o apoia não se sinta defraudado, para que num futuro breve abra mais sucursais da Minga em Bissau e pelo interior desta Guiné-Bissau cada vez mais pobre e acima de tudo que o seu exemplo sirva de inspiração para outros jovens guineenses. "
Aquele abraço, amigo SF.
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